Dr. Luiz Alberto Chaves de Oliveira
( DR. LACO )
 
Muitas pessoas acreditam que falar sobre drogas, com crianças e adolescentes, possam causar uma maior curiosidade sobre o tema e acabar fazendo com que aumente o uso destas substâncias. Este é apenas um, dos numerosos mitos que cercam esta questão, pois não é o falar que causará a curiosidade (que já existe!), mas sim a maneira como a questão é abordada.
 
Nos Estados Unidos da América gastou-se, e ainda se gasta, muito dinheiro tentando descobrir as melhores formas de efetuar a prevenção: uma delas partia do princípio que deveríamos amedrontar sobre as conseqüências do uso e abuso e assim os adolescentes fugiriam da droga - não deu certo ! As crianças e adolescentes gostam de testar os perigos, de enfrentar situações de risco, de conhecer a extensão dos limites; lembre-se de como é comum o tentar enfiar o dedo nos buracos das tomadas de energia elétrica. Também o simples esclarecimento dos problemas não garante a tomada de posição contra as drogas; é preciso um conjunto de ações precoces, continuadas e muito bem articuladas para fazer frente à intensa propaganda que os produtores de drogas lícitas - álcool, tabaco, medicamentos psicotrópicos - conseguem fazer; tudo isto aumentado por um conjunto amplo de características culturais facilitadoras do uso e abuso.
 
E' preciso falar com conhecimento de causa, usando linguagem adequada, sem mentiras, com coragem, sem rodeios - dizer que a droga é ruim, que faz mal, que só traz problemas é dizer só meia verdade, que sabemos ser muito pior que a mentira.
 
Os adolescentes começam a usar drogas de uma forma curiosa e lúdica, buscam mais saber o "barato" que a droga vai proporcionar, querem satisfazer sua curiosidade e irão continuar a usa-la se tiverem facilidades de acesso e de uso, se obtiverem algum benefício evidente; se experimentarem sensações de prazer diferentes das obtidas até então; se conseguirem uma razoável tolerância em relação à droga. Quanto mais intensas forem estas sensações e menores os efeitos nocivos, maior será o risco de continuidade de uso e nesta seqüência - quanto mais intensa (e extenso) for esta continuidade, maior também será a possibilidade de desenvolver a dependência química.
 
Sabemos que a planta "Comigo Ninguém Pode", freqüente em nossos vasos decorativos, é causa importante de intoxicações na infância - a curiosidade é que leva à experimentação; devido à sua alta toxicidade a experiência não tende a se repetir.
 
O pó de giz parece bastante com a cocaína, mas não estimula ao uso constante, pois não dá "barato" nenhum!
 
O prazer é essencial para garantir a continuidade do uso de qualquer droga.
 
Falar sobre DROGAS é importante e necessário, pois só assim poderemos conhecer todas as questões relacionadas ao seu uso e abuso e, desta forma contribuir com a prevenção efetiva. Negar a sua existência; diminuir os seus riscos; dramatizar a relação de alguém com elas, não ajuda os dependentes, não diminui a possibilidade de problemas e nem garante a serenidade necessária para lidar com esta grave realidade.